Castas

O solo e as castas da Bairrada
Os solos da Bairrada são predominantemente ondulados com suaves inclinações que descem desde as serranias do Bussaco e do Caramulo até às areias do litoral. Por isso estão expostos às influências atlânticas, beneficiando de boas condições edafoclimáticas, que lhes conferem dias com temperaturas médias elevadas e noites frescas e húmidas no período de maturação das uvas.
Os solos mais adequados à vinha na Bairrada são os tipos “barros”, solos argilosos com maior ou ou menor teor de calcário, que criam as melhores uvas para vinhos de superior qualidade. Cruzada por uma rede de pequenos rios, o Cértima, o Levira, o Águeda, o Boco e o Varziela, a região engloba uma série de terrenos variados que vão do Triássico ao Plio-plistocénico, passando pelos Jurássico inferior, médio e Arenitos.
Nas castas, mantendo a tradição da região, a mais característica é a Baga, mas outras também são excelentes como aquelas que apresentamos em destaque. São também utilizadas, com menos expressão, outras castas recomendadas e autorizadas na produção dos tradicionais vinhos da “Bairrada”.
Nos Vinhos Tinto e rosados temos as castas , Alfrocheiro-Preto, Baga, Bastardo, Jean, Cabernet Sauvignon, Castelão, Syrah, Merlot, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Para os vinhos Brancos temos a casta Arinto, Bical, Cercial, Cercialinho, Chardonnay, Rabo-de-Ovelha e Fernão Pires (Maria Gomes).
 
Castas Tintas
 
Alfrocheiro-Preto
 
Origem
Não é citada pelos autores que estudaram o encepamento nacional no início do século XX. Nessa época, a designação Alfrocheiro estava ligada a uma casta branca cultivada no Dão e que, actualmente, se designa por Douradinha. Essa casta ainda mantem no Douro a designação de Alfrocheiro Branco.
A Alfrocheiro tinta é, por isso, uma designação relativamente recente (posterior a 1909), embora actualmente seja cultivada na Bairrada, Ribatejo, Alentejo e principalmente no Dão, onde é mais representativa.
A origem recente deste nome leva-nos a pensar que esta casta tinha, no passado, outra designação ou, então, é originária doutro país. O facto de esta casta ser também conhecida por Tinta Francesa de Viseu (Pereira e Duarte, 1986), poderá indicar a sua possível origem geográfica? Até ao momento, e embora esta casta esteja representada em colecções ampelográficas de outros países vitícolas, nomeadademente na colecção ampelográfica nacional francesa, localizada no “Domaine de Vassal”, próximo de Montpellier, não lhe foi detectada qualquer sinonímia com castas estrangeiras.

Morfologia
Extremidade do ramo jovem
aberta, com orla carmim de intensidade média e elevada densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem verde esbranquiçada, com média densidade de pêlos prostrados na página inferior.
Flor hermafrodita.
Pâmpano verde a ligeiramente estriado de vermelho e gomos com fraca intensidade antociânica.
Folha adulta de tamanho médio, orbicular, sub-trilobada; limbo de cor verde médio a escuro, em goteira, pouco bolhoso, nervuras principais com fraca intensidade antociânica até à 1ª ramificação; página inferior com média densidade de pêlos prostrados; dentes curtos e convexos; seio peciolar com lóbulos ligeiramente sobrepostos, em V, seios laterais em V aberto.
Cacho pequeno, cónico-alado e compacto.
Bago arredondado, pequeno e negro-azul; película medianamente espessa e polpa mole.
Sarmento castanho amarelado.

Comportamento
Abrolhamento
: Precoce, 1 dia após a ‘Castelão’.
Floração: Precoce, 3 dias após a ‘Castelão’.
Pintor: Precoce, 4 dias antes da ‘Castelão’.
Maturação: Precoce, uma semana antes da ‘Castelão’.
Casta vigorosa. Boa fertilidade (1,5 cachos / lançamento). Produção constante.
Porte erecto, imbrincado.
Muito sensível à escoriose e à podridão.
Tem o inconveniente de, em terrenos ricos, as uvas apodrecerem muito. Não deve, portanto, enxertar-se sobre porta-enxertos vigorosos, sobre os quais as uvas apodrecem muito e os vinhos são de fraca qualidade.

Variedade de porte erecto a meio erecto, de médio vigor e com média tendência para o desenvolvimento de netas. O tamanho do entrenó é médio e é bastante regular. Apresenta poucas gavinhas e frágeis.
O seu abrolhamento é precoce.
Tem alta fertilidade, mesmo nos gomos basais, é pouco afectada pelo desavinho e a sua produção é alta e regular. Apresenta frequentemente segunda floração.
Adapta-se a qualquer tipo de poda. A sua vara é de dureza média. A condução da sebe é fácil.
É medianamente susceptível ao míldio, oídio, podridão cinzenta e cigarrinha verde. Apresenta alguma susceptibilidade às carências de boro.
É susceptível ao stress hídrico. Nestas condições o engelhamento do bago é frequente.
O cacho é pequeno, compacto, com pedúnculo pequeno e medianamente lenhificado. Os bagos são pequenos, com destacamento relativamente fácil e película pouco espessa. As graínhas são grandes, bem formadas e em número médio.
A sua maturação é média a precoce.

CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso.

Potencial
Produz vinhos de boa qualidade, desde que as uvas estejam em bom estado sanitário.
Os vinhos de Alfrocheiro Preto são ricos de cor, apresentando-se como dos mais corados do Dão. Junto à Serra da Estrela e no concelho de Nelas, onde tem condições para amadurecer melhor, proporciona vinhos muito aromáticos, frutados e com grande vivacidade, graças a um excelente equilíbrio entre ácidos e açúcar. Nos célebres vinhos do Centro de Estudos Vitivinícolas, entra na proporção de 25% do que é considerado o melhor lote de todos, juntamente com a Touriga Nacional, a Jaen e a Tinta Pinheira.
Os vinhos possuem forte intensidade corante, são aromáticos e de excelente equilíbrio entre ácidos e açúcar.
Os mostos denotam um teor alcoólico provável elevado e elevada acidez.
Os vinhos são ricos de cor (tinto a retinto), com tonalidades violáceas quando novos. Proporciona vinhos muito aromáticos, frutados, com perfume vinoso, delicado e fino. O sabor é igualmente frutado, encorpado, persistente, muito vivo graças à sua acidez (equilibrado). Muito bom potencial para envelhecimento, principalmente quando feito em madeira nova de carvalho. É uma casta multifacetada, pois conhecem-se dela espumantes de muita qualidade.

Fonte: www.iniap.pt

 
Baga
 
Origem
Matias (2003)
A introdução da Baga na Bairrada dá-se em consequência do oídio, sendo esta casta resistente ao fungo.
(Matias, Goretti, 2003. Os vinhos comuns da Estremadura na segunda metade do século XIX. In: Actas do 1º Colóquio Vitivinícola da Estremadura, Torres Vedras, 9-36)
Gonçalves (1996)
O coeficiente de variação genotípica do rendimento (CVG de 16,47) permite considerá-la com um nível relativamente elevado de variabilidade genética. A sub-população do Dão (CVG de 27,70) apresenta maior heterogeneidade genética do rendimento que a sub-população da Bairrada (CVG de 11,32). A média do rendimento é superior nos clones provenientes do Dão e os melhores e piores clones são originários desta região. Na sub-população de Bairrada a média do rendimento atingida é ligeiramente inferior e a sua gama de variação é muito mais restrita.
As variabilidades do grau álcool provável (CVG de 4,77) e da acidez total do mosto (CVG de 3,40) são razoáveis. No caso do grau álcool provável, a variabilidade genética é superior nos clones oriundos da Bairrada (CVG de 5,30, enquanto os clones do Dão apresentam um CVG de 2,80). O seu valor médio não varia muito entre as duas sub-populações, respectivamente de 9,28 g/l e 9,10 g/l na Bairrada e no Dão. Quanto à acidez total do mosto, não existem diferenças de variabilidade muito substanciais entre as duas sub-populações.
(Gonçalves, 1996)

Morfologia
Extremidade do ramo jovem aberta, com orla ligeiramente carmim e elevada densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem verde com zonas bronzeadas, página inferior com forte densidade de pêlos prostrados.
Flor: Hermafrodita
Pâmpano estriado de vermelho, média intensidade antociânica dos gomos.
Folha adulta de tamanho médio, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio a escuro, ligeiramente revoluto, bolhosidade fraca; página inferior com elevada densidade de pêlos prostrados, aveludada, apresentando as nervuras principais fraca densidade de pêlos erectos colocados lateralmente; dentes curtos e convexo; seio peciolar pouco aberto, com a base em V, seios laterais fechados em U.
Cacho médio, cónico, compacto, pedúnculo de comprimento médio.
Bago arredondado, médio e negro-azul; película de espessura média, polpa mole.
Sarmento castanho escuro.

Comportamento
Abrolhamento: Época média, 10 dias após a ‘Castelão’.
Floração: Época média, 6 dias após a ‘Castelão’.
Pintor: Época média, 2 dias após a ‘Castelão’.
Maturação: Tardia, duas semanas após ‘Castelão’.
Porte prostrado. Vigor elevado. Elevada produtividade.
Pouco sensível ao oídio.
Sensível à podridão, em certos anos.
Vigorosa, de produção abundante, dando vinhos pouco alcoólicos, ácidos e de qualidade “corrente”. Abrolha mal. Sensível à podridão, em certos anos.
Casta de maturação tardia, vinhos com teores alcoólicos muito variáveis, dependentes das condições climáticas de mês de Setembro serem mais ou menos favoráveis à maturação.

Potencial
É uma casta tardia, produtora de mostos ácidos e de vinhos com teores alcoólicos muito variáveis, dependentes das condições climáticas de mês de Setembro serem mais ou menos favoráveis à maturação. Os vinhos são ricos em taninos, suportando bem o envelhecimento.

 
Bastardo
Casta pouco fértil, com maturação muito preococe. Requer terrenos fundos e não muito quentes e secos. Resistente ao míldio mas sensível à podridão. Os vinhos apresentam baixa acidez e muito açúcar.
Fonte: Estação Vitivinícola da Bairrada-DRAPCentro
 
Cabernet Sauvignon
 
Rendimento:
Casta muito produtiva a medianamente produtiva.
Maturação:
Tardia. Uma semana após a Castelão.
Sensibilidade a doenças:
Pouco sensível à Podridão.
Sensível à Escoriose, à Eutipiose e ao Oídio.
Cacho:
Prequeno a médio, cónico, por vezes alado. Compacidade média.
Bago:
Pequeno e arredondado.
Película:
Negra-azul e espessa.
Polpa:
Côr: Não corada.
Consistência: Média.
Particularidades do sabor: Adstringente.
Interesse enológico:
Os vinhos de Cabernet Sauvignon têm bastante côr e possuem características varietais bastante pronunciadas. Casta própria para vinhos de guarda, devido ao seu elevado teor de taninos. Adapta-se bem a lotes com castas mais suaves.

Fonte: www.iniap.pt

Castelão
 
Origem
João de Santarém
, na rotulagem do VQPRD Ribatejo, sub-região Santarém.
Periquita, na rotulagem conforme ponto 1-A do Art. 17º do Reg.(CEE) nº 3201/90, com a redacção do Reg.(CE) nº 609/97.
A variabilidade genética do rendimento (CVG de 13,66) começa a ser limitada. A maior heterogeneidade genética está no Alentejo (CVG de 15,69). Os clones oriundos do Ribatejo são os mais homogéneos geneticamente (CVG de 2,88), ficando os clones vindos da região de Setúbal, embora com maior variabilidade, muito aquém das regiões do Alentejo e Oeste.

Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa.

Morfologia
Extremidade do ramo jovem aberta, com orla ligeiramente carmim e elevada densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem amarelada, página inferior com elevada densidade de pêlos prostrados.
Flor: Hermafrodita
Pâmpano verde, com gomos verdes.
Folha adulta de tamanho médio, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio, irregular, medianamente bolhoso, página inferior com elevada densidade de pêlos prostrados; dentes médios e convexos; seio peciolar pouco aberto, com a base em chaveta, seios laterais abertos em V.
Cacho médio, cónico-alado, compacto, pedúnculo curto.
Bago arredondado, médio e negro-azul; película medianamente espessa, polpa firme.
Sarmento amarelado.

Comportamento
A Castelão é considerada casta-referência para os estados fenológicos das castas tintas.
Abrolhamento: Precoce.
Floração: Precoce.
Pintor: Época média.
Maturação: Época média.
Porte erecto. Vigorosa. Boa produtividade. Tendência para rebentação múltipla.
Sensível ao desavinho.
Pouco sensível à podridão, no período de maturação. No período de floração é sensível à podridão, que ataca o pedúnculo do cacho.
Pouco sensível ao oídio.
Bastante versátil, adapta-se bem a terrenos húmidos.
Casta temporã, adaptável a várias situações edafo-climáticas, que agradece contudo solos de média a baixa fertilidade para exprimir todo o seu potencial enológico. Encontra nos podzóis da Península de Setúbal o seu solar de excelência.
Exigente em potássio e sensível a excesso de azoto, que lhe promove o desavinho. A sensibilidade ao desavinho é uma característica da casta que se atenua muito com a utilização de materiais vegetativos (garfos) provenientes de Selecção Massal de Clones (piloclonal) e com práticas de fertilização racionais.
Na Estremadura era tradicionalmente podada à vara, mas recentemente, com a crescente introdução dos materiais seleccionados, tem-se disseminado o uso de poda curta, com melhorias consideráveis da qualidade.
Apresenta porte semi-erecto, carece de poda em verde e agradece práticas de maneio que lhe aumentem o arejamento, principalmente na época da floração.
Muito sensível à traça da uva.
Sensível às doenças do lenho.

CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA

Potencial
A cor e o grau alcoólico dos vinhos é razoável.
Normalmente constitui uma casta de lote, mas na região vitícola de Palmela, produz vinhos elementares bem estruturados, ricos em aromas primários quando jovens, macios e alcoólicos.
CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA

Selecção
Possui clones certificados.
(Rede Nacional de Selecção da Videira)

Castelão T, clone 29 EAN:
Muito bom rendimento, com teor alcoólico elevado, acidez total média e elevado teor em substâncias da cor. Elevado potencial enológico, o qual se baseia na qualidade do seu perfil aromático e na distinção e persistência gustativa dos vinhos.

Castelão T, clone 30 EAN:
Rendimento médio, com um bom equilíbrio de características qualitativas.

Castelão T, clone 31 EAN:
Muito bom rendimento, com bom teor alcoólico e de acidez total. Elevado teor em substâncias da cor. Potencial enológico bastante elevado, o qual se manifesta pela distinção do seu perfil aromático e pela complexidade e persistência gustativa dos vinhos.

Castelão T, clone 32 EAN:
Bom rendimento, com teor alcoólico médio, acidez total média e elevado teor em substâncias da cor.

Castelão T, clone 33 EAN:
Bom rendimento, elevado teor alcoólico, elevada acidez total e elevado teor em substâncias da cor. Bom potencial enológico, o qual se traduz pela qualidade do seu perfil organoléptico, quer em termos aromáticos quer em termos gustativos.

Fonte: www.iniap.pt

 
Jaen
 
Origem
Cultivada na região de Bierzo (Espanha) com o nome de Mencía.
Os indicadores de variabilidade do rendimento, obtidos no âmbito dos trabalhos de selecção, na população de Nelas (CVG de 7,15), constituída apenas por clones do Dão, eram baixos, apontando para um estabelecimento bastante recente da casta na região de cultura prospectada. Nestas condições os resultados apontavam no sentido de que a população de Jaen estabelecidano Dão é de formação recente.
Não eram conhecidas, até há pouco, quaisquer relações sinonímicas com outras castas nacionais ou estrangeiras, mas os indicadores de variabilidade genética do rendimento eram incompatíveis com o estabelecimento longíquo da casta na região. A hipótese de ter sido importada do estrangeiro num passado recente tornou-se a única plausível, reforçada pela circunstância de, em textos anteriores ao início do século, não aparecer referenciada nas regiões vitícolas portuguesas. Nestas circunstâncias, foi procurada sistematicamente em Espanha tendo sido encontrada, em 1994, na região de Bierzo, na comunidade de Castilla-León, próximo da Galiza, onde é designada por Tinta Mencia.
Foi iniciada uma selecção baseada em clones prospectados no Dão e em Espanha, e instalado um campo de ensaio em Magualde. O coeficiente de variação genotípica do rendimento, na população de Magualde (CVG de 20,97), sofreu um acentuado aumento, permitindo considerá--la com um nível relativamente elevado de variabilidade genética.
Assim, esta casta não é exclusiva da região do Dão, mas cultiva-se também no noroeste de Espanha, na Galiza e na comunidade de Castilla-León, onde é a base dos vinhos tintos da denominação de origem “Bierzo”.
Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa.

Segundo o Ministério de Fomento Espanhol (1911) foi introduzida nas Astúrias depois da filoxera, encontrando-se amplamente expandida nas regiões limítrofes. Santos-Solla (1992) afirma que chegou à comarca de Barco de Valdeorras (Ourense) antes da invasão filoxérica e que em 1880 e 1884 já se cultivava na província de Lugo. Sobre esta variedade há muita controvérsia, tanto sobre a sua misteriosa origem (antes da filoxera não aparece citada em nenhum sítio), como pela sinonímia que se lhe atribui ao identificá-la com a ‘Cabernet Franc’ (Santos-Solla, 1992), o que é rotundamente falso. Devemos ainda acrescentar que há muitas opiniões coincidentes sobre a existência de várias ‘Mencías’ (Mencía, Menciona, Mencís pata de perdiz,…), algumas das quais tivemos oportunidade de ver e onde podemos comprovar que efectivamente se observam diferenças claras entre umas e outras, sobretudo ao nível do cacho.

Comenge (1942) inclui-a na Secção I (foliis lobatis sinuatis nudis), Gens X. Vivaceae (Clan X. Jamì); dá-lhe o nome de Exilis ou Mencía e descreve-a como tendo sarmentos blanquecinos. Folhas como a Garnacha. Cachos relativamente tochados, cilíndricos e alados; raquis verde com ligeiro violeta, comprimido (pequeno); pedúnculos curtos, …

Martínez, M.C., J.E. Pérez, 1999. La vid en el occidente del principado de Asturias. Description ampelográfica de las variedades. 101p. Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Madrid.

Cultivada na região de Bierzo (Espanha) com o nome de Mencía.

Morfologia
Extremidade do ramo jovem aberta, com carmim generalizado e fraco, nula densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem verde, página inferior glabra.
Flor hermafrodita.
Pâmpano verde, com gomos verdes.
Folha adulta pequena, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio, irregular, liso, página inferior glabra; dentes médios e convexos; seio peciolar aberto, com a base em V, seios laterais abertos em V.
Cacho médio, cónico, compacto, pedúnculo de comprimento médio.
Bago arredondado, médio e negro-azul; película medianamente espessa, polpa mole.
Sarmento castanho amarelado a escuro.
Comportamento

Abrolhamento: Época média, 9 dias após a ‘Castelão’.
Floração: Época média, 7 dias após a ‘Castelão’.
Pintor: Precoce, 5 dias antes da ‘Castelão’.
Maturação: Época média, em simultâneo com a ‘Castelão’, apresentando baixos teores de acidez.
Porte semi-erecto. Vigor médio. Boa produtividade e regular.
Pouco sensível ao desavinho e ao stress hídrico.
Muito sensível ao míldio, ao oídio e à podridão.

Potencial
O grau alcoólico e a cor do vinho são médios, enquanto a acidez é normalmente fraca.

Fonte: www.iniap.pt

 
Merlot
 
Rendimento:
Casta de elevado rendimento. Em condições climáticas adversas, há o risco de apresentar desavinho.
Maturação:
Maturação precoce a média (ligeiramente mais precoce que a Castelão).
Sensibilidade a doenças:
Sensível ao míldio, na flor e no cacho, e à cigarrinha verde. Ligeiramente sensível à podridão. Pouco sujeita ao oídio e às doenças do lenho (escoriose e afins).
Cacho:
Pequeno a médio, cilíndrico, por vezes alado, medianamente compacto, pedúnculo curto.
Bago:
Bago médio, arredondado.
Película:
Negra-azul e fina.
Polpa:
Côr: Não corada.
Consistência: Mole.
Particularidades do sabor: Nenhum.
Interesse enológico:
Tem semelhanças com o vinho de Cabernet Sauvignon, não sendo tão intenso e com taninos mais suaves. Na região de Bordéus é frequente a mistura das duas castas.
Permite elaborar vinhos encorpados, ricos em álcool e em cor, relativamente pouco ácidos. Os vinhos mais estruturados podem ser estagiados em madeira. Os aromas são complexos e elegantes.
Na região da Bairrada, onde é autorizada para a produção do DOC Bairrada, usa-se para atenuar a dureza de algumas castas, como a Cabernet Sauvignon e a Baga.

Fonte: www.iniap.pt

 
Syrah
 
Rendimento:
Casta muito produtiva, mas para obter vinhos de qualidade, os rendimentos devem permanecer baixos (30 a 40 hl./ha. – 5 a 6 ton./ha.).
Maturação:
Tardia, muito semelhante à Cabernet Sauvignon.
Sensibilidade a doenças:
É bastante sensível aos ácaros e à podridão cinzenta, sobretudo no fim da maturação.
Cacho:
Médio, compacto e cilíndrico.
Bago:
Pequeno e elíptico a ovóide.
Película:
Negra-azul, fina, mas resistente.
Polpa:
Côr: Não corada.
Consistência: Mole.
Particularidades do sabor: Nenhum.
Interesse enológico:
Em condições de produção satisfatórias, os vinhos obtidos são muito corados, de um vermelho intenso com nuances violetas durante a juventude. A intensidade corante é sempre muito persistente.
O potencial aromático é muito complexo, com compostos florais, frutados, especiarias e animais.
A ‘Syrah’ origina vinhos muito ricos em taninos. A riqueza taninica, a pujança e a amplitude dos vinhos tornam-nos vinhos de guarda.

Fonte: www.iniap.pt

 
Touriga Nacional
 
Origem
A heterogeneidade genética de todas as características qualitativas estudadas é maior, tal como acontece com o rendimento, nos clones provenientes do Dão, embora essa diferença de variabilidade não seja muito relevante. De facto, grau álcool provável, acidez total do mosto e pH demonstram ter maior variabilidade nesta região. Noutras características como polifenóis totais, antocianas, tonalidade e intensidade, onde a variabilidade genética já é mais acentuada, a heterogeneidade genética também é mais acentuada na região do Dão. O mesmo acontece quando é analisada a variabilidade genética do peso e volume dos bagos.
A hipótese de ser originária de Tourigo, na região do Dão, sai reforçada com as análises de variabilidade genética efectuadas sobre as características quantitativas e qualitativas acima mencionadas. O Dão possui sempre, em todas as características avaliadas, maior variabilidade que o Douro, embora a diferença não seja muito acentuada, possivelmente devido às razões já enunciadas de proximidade entre as duas regiões.
Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa.

Morfologia
Extremidade do ramo jovem
aberta, com orla carmim e média densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem verde com tons acobreados, página inferior com média densidade de pêlos prostrados.
Flor: Hermafrodita
Pâmpano estriado de vermelho, com gomos ligeiramente avermelhados.
Folha adulta pequena, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio, plano e bolhoso; página inferior com média densidade de pêlos prostrados e de pêlos erectos; dentes curtos e rectilíneos; seio peciolar aberto, em V, seios laterais abertos, com base em U.
Cacho pequeno, cilindro-cónico, medianamente compacto, pedúnculo de comprimento médio.
Bago ligeiramente achatado, médio e negro-azul; película de espessura média, polpa mole.
Sarmento castanho escuro.

Comportamento
Abrolhamento: Precoce, 2 dias após a ‘Castelão’.
Floração: Precoce, em simultâneo com a ‘Castelão’.
Pintor: Época média, 2 dias após a ‘Castelão’.
Maturação: Época média, uma semana após a ‘Castelão’.
Casta muito fértil, embora possa ser pouco produtiva (1kg/cepa). A baixa produtividade deve-se à sensibilidade às condições ambientais, pois durante a fecundação um mau arejamento da flor provoca, com muita facilidade, desavinho.
Muito vigorosa, de porte prostrado, exigindo em vinhas aramadas que o segundo arame fique próximo (cerca de 25cm) do primeiro, para evitar a queda dos pâmpanos. Durante a floração a zona dos cachos deve permenecer bem arejada, com os lançamentos bem levantados e não se deve despontar, para evitar uma emissão acentuada de netas que irão “fechar” a planta.

Casta vigorosa com tendência para fazer abrolhar muitos gomos secundários e latentes e assim formar muitas netas que adensam a copa – por vezes perigosamente na zona da frutificação. Convêm-lhe porta-enxertos de baixo ou médio vigor.
Porte muito retombante o que aconselha um sistema de suporte com arames duplos móveis e o encaminhamento frequente e precoce da vegetação, em simultâneo com podas em verde dos lançamentos parasitas.
Permite poda curta em cordão royat (unilateral ou bilateral) sendo que os talões não devem ser demasiado curtos – pelo menos 3 gomos incluindo o da coroa.
A Touriga Nacional é uma casta muito exigente quanto à forma de ser conduzida e na ausência de alguns preceitos culturais como excesso de vigor e copas muito densas pode ser sujeita a intenso desavinho, sobretudo se o clima decorrer frio e húmido durante a floração.
No tocante ao rendimento e em resultado da selecção clonal, a Touriga Nacional revela hoje uma produtividade aceitável – em termos médios, situada entre 5 a 8 ton/ha
Embora revele boa adaptação a grande diversidade de solos, os terrenos férteis e frescos no Verão são-lhe pouco favoráveis em vista da qualidade . Pelo contrário, é satisfatoriamente rústica, suportando alguma carência hídrica no Verão, excepto nos solos delgados onde pode sofrer esfoliações intensas.
A Touriga Nacional não revela especial sensibilidade ao conjunto das doenças e pragas mais habituais. A forma de condução e o vigor podem, no entanto, condicionar a sensibilidade às doenças e pragas.
Verifica-se, no entanto, uma nítida sensibilidade à escoriose.
CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA

Variedade de porte retombante, vigorosa e com grande tendência ao desenvolvimento de netas. O entrenó é de tamanho médio e é regular. Apresenta gavinhas fortes e abundantes.
O abrolhamento é médio.
Apresenta uma elevada fertilidade, mesmo nos gomos basais. É muito susceptível ao desavinho. O seu nível de produção é médio a elevado, quando se utilizam materiais seleccionados e conduções adequadas, caso contrário ele é baixo.
Adapta-se a qualquer tipo de poda. A vara é de dureza média. A condução da sebe é difícil.
É bastante resistente ao míldio, oídio, podridão cinzenta, cigarrinha e traça, mas é susceptível à escoriose. É medianamente susceptível a carências de magnésio.
É susceptível ao stress hídrico, perdendo frequentemente as folhas nestas condições.
O cacho é pequeno a médio, ligeiramente compacto, com o pé muito lenhificado. O bago é pequeno, de película rija e difícil de destacar e tem bastantes grainhas, de natureza herbácea.
A maturação é média a precoce.

CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso.

Potencial
Mostos com teores de álcool provável e acidez médios.
Considerada a melhor casta para elaborar o vinho do Porto tinto.
Dá excelentes vinhos, carregados de côr, muito aromáticos, adstringentes, com frutado intenso. São vinhos de guarda, exigentes em tecnologia que possa torná-los bebíveis ao fim de poucos anos. De melhor envelhecimento que a Touriga Franca.

É uma casta consistente em termos da qualidade dos vinhos que origina, um pouco por todas as regiões vitícolas nacionais e ao longo dos anos.
É capaz de produzir vinhos elementares da mais alta qualidade, sendo alcoólicos, ricos em substâncias fenólicas – com aromas finos, complexos e muitas vezes florais (violetas).
CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA

Os mostos apresentam um teor alcoólico provável muito elevado e acidez elevada, muito equilibrados.
Dá vinhos de cor retinta intensa, com tonalidades violáceas quando novos. O aroma é igualmente intenso a frutos pretos muito maduros, com algo de selvagem, silvestre (amoras, rosmaninho, alfazema, caruma, esteva, etc.). Na boca apresenta-se cheio, encorpado, persistente, robusto, taninoso, muito frutado quando jovem. Possui elevado potencial para envelhecimentos prolongados, adquirindo nessa altura, uma elegância, um aroma e sabor aveludado inconfundíveis. Quando estagiado em madeira nova de carvalho de qualidade, a sua evolução é mais rápida, transmitindo-lhe maior complexidade, embora continue a patentear sempre, o "toque" original da casta.
CONTRIBUIÇÃO DO CENTRO DE ESTUDOS VITIVINÍCOLAS DO DÃO. DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO CENTRO. Vanda Pedroso

Selecção
Possui clones certificados.
Características dos clones, obtidos nas condições dos ensaios de selecção.

Touriga Nacional T, clone 17 ISA:
Rendimento médio, com teor alcoólico elevado e acidez total média. Excelente adaptação ambiental. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de muito bom.

Touriga Nacional T, clone 18 ISA:
Excelente rendimento, com teor alcoólico médio e acidez total média. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de muito bom.

Touriga Nacional T, clone 19 ISA:
Muito bom rendimento, com bom teor alcoólico e acidez total média. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de bom.

Touriga Nacional T, clone 20 ISA:
Bom rendimento e acidez total média. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de muito bom.

Touriga Nacional T, clone 21 ISA:
Rendimento médio, com excelente teor alcoólico e boa acidez total. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de muito bom.

Touriga Nacional T, clone 22 ISA:
Excelente rendimento, com teor alcoólico médio e boa acidez total. Boa estabilidade ambiental. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de bom.

Touriga Nacional T, clone 23 ISA:
Rendimento médio, com teor alcoólico médio e acidez total média. A nota global de prova de vinhos experimentais foi de muito bom.

Fonte: www.iniap.pt

 
Castas Brancas
 
Arinto
 
Origem
Conhecida por Pedernã na região de Entre-Douro e Minho.

O coeficiente de variação genotípica do rendimento (CVG de 32,28) permite considerá-la geneticamente heterogénea e concluir da sua cultura desde um passado longíquo nas respectivas regiões vitícolas, onde terá um certo tradicionalismo. Segundo as análises de genética quantitativa já realizadas, as sub-populações cultivadas nas regiões do Oeste, Ribatejo, Vinhos Verdes, Bairrada e Lafões são distintas, quanto à variabilidade do rendimento e quanto ao valor da média. Na região do Oeste localiza-se a maior variabilidade genotípica do rendimento (CVG de 35,09) e a média de rendimento inferior (1,07 kg/cepa), existindo a maior homogeneidade genética (CVG de 14,69) na sub-população de Lafões.
Este resultado constitui uma sugestão no sentido de que a casta se estabeleceu e seguiu um percurso evolutivo mais longo na região do Oeste, tendo-se expandido depois para as suas restantes regiões de cultura. As sub-populações do Ribatejo (CVG de 29,93), Vinhos Verdes (CVG de 25,89)e Bairrada (CVG de 22,11)aparecem-nos, respectivamente, com indicadores de variabilidade inferiores comparativamente aos verificados no Oeste. Na sub-população de Lafões a maior homogeneidade genética torna-se notória, sugerindo que nesta região a casta terá sido introduzida num passado recente. É de salientar que, apesar de terem menor variabilidade, as regiões de Lafões e da Bairrada têm uma média de rendimento superior (1,55 kg/cepa e 1,61 kg/cepa, respectivamente) e a amplitude de variação da produção indica mesmo que nelas estão os melhores clones em termos desta característica.
Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa.

Morfologia
Extremidade do ramo
jovem aberta, com orla carmim fraca, forte densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem verde com placas acobreadas, página inferior com forte densidade de pêlos prostrados.
Flor hermafrodita
Pâmpano com estrias avermelhadas na face dorsal dos nós e entre-nós, gomos verdes.
Folha adulta grande, pentagonal, sub-trilobada; limbo verde claro, irregular, medianamente empolado, com enrugamento, página inferior aveludada, com média densidade de pêlos prostrados e forte de pêlos erectos; dentes curtos e convexos; seio peciolar fechado, em V.
Cacho grande, cónico com várias asas, compacto, pedúnculo de comprimento médio.
Bago elíptico-curto, pequeno e verde-amarelado; película medianamente espessa, polpa mole.
Sarmento castanho escuro.

Comportamento
Abrolhamento
: Tardio, 9 dias após a ‘Fernão Pires’.
Floração: Época média, 5 dias após a ‘Fernão Pires’.
Pintor: Tardio, 16 dias após a ‘Fernão Pires’.
Maturação: Tardia, duas semanas após ‘Fernão Pires’.
Porte erecto. Sensível à escoriose e à cigarrinha verde..
Pouco sensível ao desavinho.
Vigorosa e, ainda que os cachos sejam grandes, produção baixa, dando poucos cachos grandes por cepa, melhorando com poda longa.
A maturação tardia origina uma colheita normalmente afectada pela podridão.
Adapta-se com facilidade a todos os terrenos, manifestando alguma exigência em humidade.
Sensível à podridão.

É uma casta muito vigorosa de porte erecto que assume duma forma geral e em função da fertilidade do terreno, do porta-enxerto e da nutrição, grande expressão vegetativa .
Possui média a baixa fertilidade dos gomos da base e assim requer poda mista ou longa. Quando sujeita a poda curta, em solos férteis, assume um comportamento “rebelde” originando lançamentos com vários metros de comprimento, nem sempre abrolhando todos os gomos e revelando grande dominância apical. Neste caso a produção desequilibra-se em favor da vegetação, com consequente diminuição do rendimento.
É uma casta que, com poda curta ou mista e fertilizações equilibradas (devem conter-se em níveis baixos as aplicações de azoto), produz satisfatoriamente em termos médios 6-9 ton/ha, apesar de produzir poucos cachos e estes serem de bago miúdo. Estas características acentuam-se com a utilização de material vegetativo proveniente da Seleccção Massal de Clones (poliC).
Embora seja uma casta com boa adaptação a solos frescos, noutras situações mais áridas não revela especial sensibilidade ao stress-hídrico.
É medianamente sensível às doenças e pragas que mais vulgarmente parasitam a vinha, havendo todavia necessidade de dispensar vigilância regular às incidências de escoriose oídio e podridões.
Como é norma, devem evitar-se as grandes feridas na poda, as quais nesta casta podem ser mais frequentes e desencadearem perigosos ataques de doenças do lenho. No conjunto das castas brancas parece ser das mais sensíveis.
Por vezes é notória a sensibilidade à cigarrinha verde
Exige uma monitorização rigorosa da 2ª e 3ª geração da traça, coadjuvada com tratamentos eficazes.
CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA

Potencial
Muito cultivada em todo o País, desde o Douro ao Alentejo. É a principal casta de Bucelas. Produz mostos ácidos e vinhos agradáveis, de boa qualidade, que acompanham bem pratos de peixe. É devido à sua acidez que também é cultivada na região dos Vinhos Verdes.
O vinho extreme, ou o Bucelas onde predomina esta casta, é de uma compleição excelente.
Às vezes sai um pouco alcoólico, devido a uma errada compreensão do que deve ser o vinho branco, levando-o, por uma vindima tardia ou por desnecessária aguardentação, a um grau alcoólico elevado.
O fabrico deve ser dirigido, desde o começo, no sentido de melhor aproveitar os grandes recursos desta casta, que é uma das mais finas e apropriadas para a formação de vinhos brancos de pasto delicados e aromáticos, sem os deixar perdidos sob a impressão de uma nota alcoólica exagerada que justamente não deixa sobressair as suas qualidades de graça, frescura e perfume.
Nas encostas arejadas e com boa exposição solar, o Arinto atinge facilmente um teor alcoólico de 11 a 12 graus e uma boa acidez fixa. É deste equilibrio entre o álcool e a acidez por um lado, e os aromas primários intensamente frutados e citrinos, que faz com que os vinhos desta casta se distingam dos restantes. Estes vinhos apresentam um grande potencial de envelhecimento, tendo uma evolução interessante no seu primeiro ano de vida, conservando essa complexidade aromática durante dois ou três anos, o que muito os caracteriza.
Na prova, os vinhos de Arinto são muito frescos, devido à acidez natural, e aromaticamente muito intensos. É talvez das poucas castas brancas portuguesass com personalidade forte o que origina, só por si, vinhos equilibrados e característicos.
A clarificação dos vinhos é um pouco demorada.

A casta Arinto revela particularidades acentuadas quanto aos vinhos que origina . Na realidade os seus mostos apresentam valores muito elevados em ácidos orgânicos - acidez total 6-12 g/l - e satisfatória riqueza em açúcar - alcoól. Prov. 11 a 12,5 %V / V -.
Os vinhos evidenciam características aromáticas particulares sendo muito finos e medianamente intensos; quanto ao sabor são frescos, vivos e persistentes.
CONTRIBUIÇÃO DA DIRECÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO RIBATEJO E OESTE (DRARO). Luís E. Carvalho; Kátia G. Teixeira; João Melícias Duarte, Delfim Madeira. DIVISÃO DE VITIVINICULTURA

Selecção
Possui clones certificados.
Características dos clones, obtidas nas condições dos ensaios de selecção.

Arinto B, clone 36 EAN:
Muito bom rendimento, teor alcoólico bom e acidez total média. Bom resultado na microvinificação.

Arinto B, clone 37 EAN:
Rendimento médio, muito bom teor alcoólico e acidez total inferior à média. Bom resultado na microvinificação.

Arinto B, clone 38 EAN:
Rendimento abaixo da média, muito bom teor alcoólico e teor de acidez total médio. Bom resultado na microvinificação.

Arinto B, clone 39 EAN:
Rendimento excelente, muito bom teor alcoólico e acidez total média. Bom resultado na microvinificação.

Arinto B, clone 40 EAN:
Rendimento médio, com teor alcoólico muito bom e teor de acidez total baixo. Muito bom resultado na microvinificação.

Fonte: www.iniap.pt

 
Bical
 
Características

A casta Bical é típica da região das Beiras, nomeadamente da zona da Bairrada e do Dão (onde se denomina "Borrado das Moscas", devido às pequenas manchas castanhas que surgem nos bagos maduros). Aquando da época da revolução tecnológica na Bairrada, nos anos 80, foi possível conhecer todas as qualidades da casta Bical. Assim, a par da casta Maria Gomes, a Bical é uma das mais importantes castas da região. Esta casta é de maturação precoce, por isso os seus bagos conservam bastante acidez. É muito resistente à podridão, contudo particularmente sensível ao oídio.
Os vinhos produzidos com esta casta são muito aromáticos, frescos e bem estruturados. Na Bairrada a casta Bical é muito utilizada na produção de espumante.

Fonte: www.infovini.com

 
Cercial
 
Características
A casta Cercial é cultivada em diferentes regiões vitícolas. De acordo com a região pode adoptar diferentes grafias e apresentar características ligeiramente diferentes. São conhecidas a Cercial do Douro e do Dão, a Cerceal da Bairrada e a Sercial da Madeira, também denominada de Esgana Cão no Douro. As principais características das variedades da Cercial são a elevada produção e boa acidez. Esta casta produz o famoso vinho generoso Sercial da Madeira, um vinho seco que depois de envelhecer adquire características excepcionais. Os vinhos monovarietais desta casta são geralmente um pouco desequilibrados, por isso é costume lotar a Cercial com outras castas como a Bical, Fernão Pires ou Malvasia Fina. Nestes vinhos, a característica herdada da Cercial são a acidez elevada e os aromas delicados.
Chardonnay

 
Cercialinho

Casta de folha pequena, com forma pentagonal. O seu cacho e os seus bagos são de tamanho pequeno, tendo estes uma forma ligeiramente achatada.
 
É uma casta fácil de cultivar, em termos de produtividade e de rendimento económico. Pode dar boas produções amadurece utilmente cedo, embora abrolhe cedo demais nos climas frios. As suas características agradam os enólogos, pela gama de técnicas de vinificação a que se presta: não só a uma vasta gama de vinhos brancos, mas também delicados espumantes e até alguns vinhos brancos doces de muito sucesso, feitos com a ajuda da Podridão Nobre.
Fonte: Estação Vitivinícola da Bairrada-DRAPCentro
 
Fernão Pires
 
Características
A Fernão Pires é uma das castas brancas mais plantadas em Portugal. É mais cultivada nas zonas do centro e sul, especialmente na zona da Bairrada (onde é conhecida por Maria Gomes), Estremadura, Ribatejo e Setúbal. A casta Fernão Pires tem uma maturação muito precoce, por isso é uma das primeiras castas portuguesas a ser vindimada. Além disso, sendo muito sensível às geadas, desenvolve-se melhor em solos férteis de clima temperado ou quente. Esta casta possui um bom teor alcoólico e uma acidez baixa ou média, por isso os vinhos produzidos ou misturados com esta casta têm intensos aromas florais.
 
Rabo de Ovelha
 
Origem
A heterogeneidade genética do rendimento desta casta é maior nos clones oriundos do Alentejo, indicando que esta região seja o seu solar.
Gonçalves, Elsa M.F., 1996. Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira, 76p. Relatório de Fim de Curso, I.S.A., Lisboa.

Dados obtidos com 28 microssatélites indicam esta castas como progenitora da casta ‘Cayetana’, cultivada principalmente na Extremadura espanhola, próximo da fronteira portuguesa. A identificação desta progenitura reforça a possível origem alentejana desta casta Rabo de Ovelha.
Lopes, M. Susana, M. Rodrigues dos Santos, J.E. Eiras-Dias, D. Mendonça, A. Câmara Machado, 2006. Discrimination of Portuguese grapevines based on microsatellite markers. Journal of Biotechnology, 127, 34-44.

Morfologia
Extremidade do ramo jovem
aberta, com orla carmim de intensidade média, média densidade de pêlos prostrados.
Folha jovem amarelada com tons bronzeados, página inferior com forte densidade de pêlos prostrados.
Flor: Hermafrodita
Pâmpano ligeiramente estriado de vermelho, com gomos verdes.
Folha adulta grande, cuneiforme, com três lóbulos; limbo verde médio, irregular, ligeiramente bolhoso; página inferior com média densidade de pêlos prostrados; dentes grandes e rectilíneos;seio peciolar aberto, em U, e seios laterais abertos em V.
Cacho grande, cilindrico-cónico, compacto, pedúnculo longo.
Bago arredondado, médio e verde amarelado; película de espessura média, polpa de consistência média.
Sarmento castanho escuro.

Comportamento
Abrolhamento
: Época média, 6 dias após a ‘Fernão Pires’.
Floração: Época média, 3 dias após a ‘Fernão Pires’.
Pintor: Época média, 10 dias após a ‘Fernão Pires’.
Maturação: Época média, uma semana após a ‘Fernão Pires’.
Porte semi-erecto. Vigor elevado. Bastante produtiva.
Sensível à escoriose, ao oídio e à botrytis.
Muito boa resistência ao desavinho.

 

Produto em Destaque

Espumante Castelar Baga

As uvas, nascidas de vinhas com cerca de 30 anos, foram vindimadas no estado ideal de maturação para a realização de um espumante “blanc de noir”, equilibrado e de qualidade. Durante a vinificação, optou-se por uma prensagem muito suave e por uma temperatura de fermentação controlada. A espumantização pelo método clássico iniciou-se em Março de 2011, refermentando em garrafa na cave a 15 °C, seguindo um período de estágio, sobre borras, de 3 anos. No final o espumante apresenta uma cor rosada, com efervescência continua e abundante e um aroma a frutos vermelhos. Na boca sente-se uma frescura intensa e uma acidez viva. O Espumante proporciona um final de boca bem estruturado e persistente.